Nos últimos meses, um intenso debate sobre as condições de trabalho e a qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros ganhou força, com foco especial na escala de trabalho 6×1 (seis dias de trabalho por um de descanso). O movimento social, popularizado nas redes como “Vidas Importam, Pelo Fim da Escala 6×1”, evoluiu para uma proposta concreta no Congresso Nacional, que pode alterar significativamente as relações de emprego no país.
Este informe tem o objetivo de esclarecer o status atual e os detalhes dessa importante pauta.
O Que é a Proposta?
A discussão originou-se de um movimento popular que coletou mais de 600 mil assinaturas em uma petição online. A mobilização resultou na apresentação de uma Sugestão Legislativa (SUG 14/2023) perante a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado Federal.
A principal reivindicação da proposta é a alteração da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para:
- Reduzir a jornada semanal máxima de 44 para 36 horas.
- Garantir duas folgas semanais ao empregado, preferencialmente consecutivas, em vez de apenas uma.
O objetivo é promover maior bem-estar físico e mental, além de proporcionar mais tempo para o convívio social e familiar dos trabalhadores, sem que haja redução salarial.
Situação Atual da Tramitação
A Sugestão Legislativa (SUG 14/2023) foi acatada pela Comissão de Direitos Humanos e está, atualmente, sob a relatoria do Senador Paulo Paim (PT-RS). O próximo passo é a apresentação de um relatório pelo senador, que poderá recomendar a transformação da sugestão em um Projeto de Lei (PL).
Se o parecer for favorável e aprovado pela comissão, a proposta começará a tramitar oficialmente nas casas legislativas (Senado e Câmara dos Deputados), passando por diversas comissões temáticas antes de ir à votação em plenário.
Principais Argumentos da Proposta
Os defensores da mudança na legislação argumentam que a escala 6×1, especialmente em setores como comércio e serviços, é exaustiva e prejudicial à saúde do trabalhador. Os principais pontos levantados são:
- Saúde Mental e Física: A redução da jornada e a ampliação do descanso semanal são vistas como medidas essenciais para combater o esgotamento (burnout), o estresse e outras doenças relacionadas ao trabalho.
- Qualidade de Vida: Com duas folgas semanais, o trabalhador teria mais tempo para se dedicar à família, ao lazer, aos estudos e a cuidados pessoais.
- Produtividade: Estudos e exemplos internacionais sugerem que trabalhadores mais descansados e satisfeitos tendem a ser mais produtivos e engajados, o que poderia compensar a redução da carga horária.
Impactos e Próximos Passos
Se a proposta for convertida em lei, o impacto será profundo tanto para empregados quanto para empregadores. Empresas, especialmente de pequeno e médio porte, precisariam reestruturar suas escalas, o que poderia implicar na necessidade de novas contratações para cobrir os turnos e manter a operacionalidade.
A sociedade civil e as entidades de classe devem acompanhar de perto a tramitação da matéria. A apresentação do relatório do Senador Paulo Paim será um momento decisivo para o futuro da proposta. Audiências públicas podem ser convocadas para debater o tema com especialistas, empresários e representantes dos trabalhadores.
Em suma, o que começou como um movimento social está agora em uma fase crucial no âmbito legislativo, com potencial para redefinir o padrão da jornada de trabalho no Brasil.
Aviso Legal: Este informe jurídico tem caráter estritamente informativo e não substitui uma consulta jurídica com um profissional qualificado. As informações aqui contidas refletem o estado da proposta legislativa até a presente data e estão sujeitas a alterações conforme o andamento do processo legislativo.


